TCU vai abrir robô que varre licitações para estados e municípios

Por: Luís Osvaldo Grossman (Convergência Digital) 
Com mais de 1 milhão de documentos digeridos, a robô Alice, usada pelo Tribunal de Contas da União para a análise de licitações e editais diariamente, vai passar por uma reengenharia para facilitar o uso sobre mais bases de dados e permitir que as cortes de contas estaduais e municipais façam uso da mesma ferramenta.

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“O foco da Alice esta sendo no Comprasnet, mas a gente observa que a grande maioria, cerca de 80%, das licitações publicadas ali são da esfera federal. Os parceiros nos estados e municípios também têm necessidade parecida. Este ano uma das metas é alterar a arquitetura da Alice para permitir que a análise possa ser feita em outras bases além do Comprasnet”, explica um dos desenvolvedores do sistema no TCU, Edans Sandes. O sistema foi detalhado nesta sexta, 18/5, no 5º PyData BSB.

A robô nasceu em 2015 na Controladoria Geral da União e há cerca de um ano e meio vem sendo aperfeiçoada no TCU. A partir da varredura dos editais e das atas de licitações, a Alice envia alarmes para os auditores. E-mails diários informam valores e até apontam indícios de irregularidades. Uma nova implementação permite que Alice leia também o Diário Oficial da União, de olho em avisos de dispensa ou inexigibilidade de licitações.

Alice usa algoritmos para identificar valor de referência e analisar o próprio texto dos editais em busca de irregularidades, como exigências desnecessárias ou mesmo ilegais para a habilitação de empresas que participam de pregões. Da análise de atas, verifica se houve concorrência e até confere se há empresas fantasmas ou que estejam proibidas de contratar com o governo.
A automatização viabiliza o trabalho sobre um volume imenso de documentos. Em média são 60 mil licitações por ano, ou algo como 300 por dia. “Não há recursos humanos para analisar tudo. Poderíamos fazer estatisticamente, amostragem, ou algum tipo de priorização. Mas todas alternativas implicariam em abrir mão de analisar tudo”, diz Sandes
Além disso, a velocidade é fundamental. “Tem que ser rápido, porque em geral o pregão ocorre até 15 dias depois da publicação, com a homologação em outros 10 dias.” Segundo ele, desde que começou a ser usada no TCU, a partir de um ‘piloto’ em 2016, Alice já construiu uma base de dados com mais de 1 milhão de documentos analisados e indicou alarmes com reflexos em pelo menos 340 licitações.